O corpo volta a ser território
Entre a criação e o consumo, existe um lugar que a moda raramente olha: o corpo que traduz a ideia. O modelo, esse elo que transforma conceito em presença , segue sendo a parte menos discutida de uma indústria que adora falar de visibilidade.
O que o Ybyrá Lab, em Campo Grande (MS), faz é justamente acender a luz nesse espaço. Idealizado pela atriz e modelo Isabela Lopes, o projeto ensina jovens a compreender o próprio corpo antes de apresentá-lo ao mundo. É um gesto simples, e por isso mesmo, revolucionário.
“Antes de desfilar, é preciso se reconhecer”, diz Isabela. Em um mercado acostumado a corpos moldáveis, soa quase como um manifesto.
Isabela Lopes é atriz, modelo e professora de artes cênicas. Licenciada em Teatro e Dança pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, atua há mais de uma década entre palcos, passarelas e oficinas.Da docência às campanhas de moda, ela construiu uma trajetória marcada por presença e propósito. E o Ybyrá Lab nasce desse cruzamento: o olhar de quem viveu o mercado por dentro e decidiu reescrevê-lo por fora.
De acordo com o relatório “Modeling Agency Market Size, Scope, Growth & Forecast” da Verified Market Research, o mercado global de agências de modelos foi estimado em US$ 10 bilhões em 2023 e está projetado para atingir US$ 15 bilhões em 2031, com um crescimento (CAGR) de cerca de 5% entre 2024-2031. Verified Market Research
A oficina vem para suprir essa necessidade:Oficinas de passarela, corpo cênico, fotografia e presença de câmera formam o núcleo de um programa gratuito, voltado a quem sempre viu o mercado de fora.
Dos passos à postura. Aquela que começa internamente e vira espetáculo nas passarelas.
O nome Ybyrá, do tupi-guarani, significa tronco, raiz, forte, e talvez seja a melhor síntese do que o projeto propõe: um corpo que sustenta histórias, não apenas veste.
O que antes era “casting”, agora é curadoria humana. E essa transformação começa pela base, pela formação de uma profissão que, muitas vezes, foi olhada com mais carão e menos carinho.
Segundo a Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), o setor têxtil e de vestuário brasileiro movimenta cerca de R$ 190 a 200 bilhões por ano.
O número é expressivo. Temos excelentes criadores, gestores e comunicadores e modelos.
O Ybyrá trabalha nesse intervalo.Transforma o modelo em sujeito e, por consequência, a moda em escuta.
Quando um setor inteiro como a moda se acostuma com o discurso da diversidade, mas ainda não cria estrutura para sustentá-la, é hora de olhar no espelho da indústria.
O Ybyrá não aponta o dedo mas oferece esse espelho.
Talvez o que esteja acontecendo no Centro-Oeste seja o esboço de um novo capítulo da moda brasileira. Um capítulo que não começa no Rio ou em São Paulo, mas nos quintais do cerrado, somando camadas de pertencimento.
Ybyrá Lab — Workshop Intensivo para Modelos
📍 Centro Cultural José Octávio Guizzo, Campo Grande (MS) 📅 8 de novembro de 2025 🎓 Gratuito | 15 vagas | inscrições pelo @ybyra.lab
Como marcas e escolas podem contribuir em próximas edições
Mentorias: designers e stylists podem atuar como orientadores e formadores.
Infraestrutura: marcas podem apoiar com books, ensaios e suporte técnico.
Visibilidade: incluir modelos formados no Ybyrá em campanhas e catálogos é um gesto simples que transforma o mercado.
Do local ao global
O Cerrado está formando seus próprios protagonistas. Abaixo esta uma lista de modelos que saíram do Cerrado e ganharam o mundo:

Linda Helena
Luana Guimarães
Luiza Motta
Maria Clarice
Dandara Queiroz
Raniely Linhares
Thaysse Ricce
Renato Cavalli
Diego Furoni
Nove modelos icônicos. Um só território.
A história mostra que o talento local sempre foi global. O próximo passo é garantir que isso não dependa do acaso.
Vamos pensar o futuro juntos?
Não dito caminhos, mas revelo possibilidades, construindo pontes que conectam marcas ao futuro.
Todos os direitos reservados ® Paulo Escrivano
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